19/06/2010

Não ao substitutivo do Código Florestal (Em defesa do meio ambiente brasileiro e da produção de alimentos saudáveis)


 No último dia 09 de junho de 2010, o Dep. Federal Aldo Rebelo (PCdoB/SP) apresentou o seu relatório à Comissão Especial, criada na Câmara dos Deputados, para analisar o Projeto de Lei nº. 1876/99 e outras propostas de mudanças no Código Florestal e na Legislação Ambiental brasileira. O referido relatório, de mais de 250 páginas, apresenta a proposta de substituição do Código Florestal (Lei nº. 4.771, de 15 de setembro de 1965).

Apesar de ser de 1965, o Código Florestal é bastante atual, pois está baseado em uma série de princípios que respondem às principais preocupações em torno do uso sustentável do meio ambiente.

Nesse sentido, as entidades populares, agrárias e ambientalistas, reconhecendo a necessidade de atualizar as leis, sempre defenderam o aperfeiçoamento do Código Florestal, especialmente para adequá-lo à realidade da agricultura familiar e camponesa. Há a concreta necessidade de se criar regulamentações que possibilitem ao Código atender às especificidades da agricultura familiar. Além disto, é essencial uma série de políticas públicas de fomento, crédito, assistência técnica, agroindustrialização e comercialização, as quais garantirão o uso sustentável das áreas de reserva legal e proteção permanente.


Estas mudanças, no entanto, são muito distintas das propostas no Projeto de Lei (PL). Isso porque, segundo cálculos de algumas entidades da área ambiental, a aplicação do mesmo resultará na emissão entre 25 bilhões a 30 bilhões de toneladas de gás carbônico só na Amazônia. Isso representa em torno de seis vezes a redução estimada de emissões por desmatamento que o Brasil estabeleceu como meta. Consequentemente, esta emissão impediria o país de cumprir esta meta assumida na conferência do clima de Copenhague.

Podemos afirmar que todo o texto do Projeto de Lei é insatisfatório, privilegiando exclusivamente os desejos das forças mais arcaicas do Brasil: os latifundiários. Dentre os principais pontos crítico do PL, podemos citar:: anistia completa aos desmatadores; a abolição da Reserva Legal para agricultura familiar; a possibilidade de compensação desta Reserva fora da região ou da bacia hidrográfica; e a transferência do arbítrio ambiental para os Estados e Municípios.

Primeiro, de acordo com o substitutivo, a responsabilidade de regulamentação ambiental passará para os estados. É fundamental entendermos que os biomas e rios não estão restritos aos limites de um ou dois Estados, portanto, não é possível pensar em leis estaduais distintas capazes de garantir a preservação dos mesmos. Por outro lado, esta estadualização representa, na prática, uma flexibilização da legislação, pois segundo o próprio texto, há a possibilidade de redução das áreas de Preservação Permanentes em até a metade se o estado assim o entender.


Em segundo lugar, o Projeto acaba por anistiar todos os produtores rurais que cometeram crimes ambientais até 22 de julho de 2008. Os desmatadores que descumpriram o Código Florestal terão cinco (5) para se ajustar à nova legislação, sendo que os mesmos não poderão ser multados neste período de moratória e ficam também cancelados embargos e termos de compromisso assinados por produtores rurais por derrubadas ilegais. A recuperação dessas áreas deverá ser feita no longínquo prazo de 30 anos!


Em terceiro lugar, o Projeto desobriga a manutenção de Reserva Legal para propriedades até quatro (4) módulos fiscais, as quais representam em torno de 90% dos imóveis rurais no Brasil. Essa isenção significa, por exemplo, que imóveis de até 400 hectares podem ser totalmente desmatados na Amazônia – já que cada módulo fiscal tem 100 hectares na região –, o que poderá representar o desmatamento de aproximadamente 85 milhões de hectares. É fundamental entendermos que a Constituição Federal estabeleceu a Reserva Legal a partir do princípio de que florestas, o meio ambiente e o patrimônio genético são interesses difusos, pertencente ao mesmo tempo a todos e a cada cidadão brasileiro indistintamente.

E é fundamental ter claro que nenhum movimento social do campo apresentou como proposta essa abolição da RL, sempre discutindo sobre a redução de seu tamanho (percentagem da área total, principalmente na Amazônia) ou sobre formas sustentáveis de exploração e sistemas simplificados de autorização para essa atividade.

Ainda sobre a Reserva Legal, o texto estabelece que, nos casos em que a mesma deve ser mantida, a compensação poderá ser feita fora da região ou bacia hidrográfica. Além disso, esta recomposição poderá ser feita por meio do plantio de espécies exóticas. Isso significa que a supressão de vegetação nativa pode ser compensada, por exemplo, por monoculturas de eucaliptos, pinus, ou qualquer outra espécie, descaracterizando o bioma e empobrecendo a biodiversidade.


O Projeto de Lei traz ainda uma conseqüência nefasta, ou seja, a anistia dos desmatadores ou a isenção em respeitar o mínimo florestal por propriedade, destrói a possibilidade de desapropriação daquelas propriedades que não cumprem a sua função ambiental ou sócio-ambiental, conforme preceitua a Constituição Federal em seu art. 186, II.

Em um momento onde toda a humanidade está consciente da crise ambiental planetária e lutando por mudanças concretas na postura dos países, onde o próprio Brasil assume uma posição de defesa das questões ecológicas nacionais e globais, é totalmente inadimissível que retrocedamos em uma legislação tão importante como o Código Florestal. É inaceitável que uma legislação de 1965 seja mais moderna, ética e preocupada com o futuro da sociedade brasileira do que uma proposta de 2010.


A proposta do deputado Aldo Rebelo atenta violentamente contra a sua história de engajamento e dedicação às questões da sociedade brasileira. Ao defender um falso nacionalismo, o senhor deputado entrega as florestas brasileiras aos grandes latifundiários e à expansão desenfreada do agronegócio. Ao buscar combater supostas influencias de ONGs internacionais, se esquece que na realidade que é internacional é o agronegócio brasileiro, subordinado ao capital financeiro estrangeiro e às transnacionais do setor agropecurário e agroquímico. A sua postura em defesa do agronegócio o coloca imediatamente contrário à agricultura camponesa e familiar, a qual diz defender.


Por isso, nós, intelectuais, artistas e organizações sociais abaixo-assinadas, exigimos a total rejeição do Projeto de Lei de autoria do deputado Aldo Rebelo.

VIA CAMPESINA
MST – MOVIMENTO DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS SEM TERRA
MPA – MOVIMENTO DOS PEQUENOS AGRICULTORES
MMC – MOVIMENTO DAS MULHERES CAMPONESAS
FETRAF – FEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES NA AGRICULTURA FAMILIAR
CIMI – CENTRO INDIGENÍSTA MISSIONÁRIO
CPT – COMISSÃO PASTORAL DA TERRA
CNASI – CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE ASSOCIAÇÕES DOS SERVIDORES DO INCRA

29/05/2010

DENÚNCIA! Negros (e brancos tambem) ainda são vítimas de escravidão no Brasil.

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 Este post é uma singela homenagem a Ali Kamel, o editor máximo do jornalismo da Globo,




De cada 4 trabalhadores libertados no país, 3 são pretos ou pardos, diz estudo de economista da UFRJ
ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO
Passados 122 anos desde a Lei Áurea, 3 em cada 4 trabalhadores libertados de situações análogas à escravidão hoje são pretos ou pardos.
 
É o que mostra um estudo do economista Marcelo Paixão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, feito a partir do cadastro de beneficiados pelo Bolsa Família incluídos no programa após ações de fiscalização que flagraram trabalhadores em situações que, para a ONU, são consideradas formas contemporâneas de escravidão.
 
São pessoas trabalhando em situações degradantes, com jornada exaustiva, dívidas com o empregador -que o impedem de largar o posto- e correndo riscos de serem mortas.
 
Paixão, que publica anualmente um Relatório de Desigualdades Raciais (ed. Garamond), diz que foi a primeira vez em que conseguiu investigar a cor ou raça desses trabalhadores, graças à inclusão do grupo no Bolsa Família.
 
Os autodeclarados pretos e pardos -que Paixão soma em seu estudo, classificando como negros- representavam 73% desse grupo, apesar de serem 51% da população total do Brasil. 
Tal como nas pesquisas do IBGE, é o próprio entrevistado que, a partir de cinco opções (branco, preto, pardo, amarelo ou indígena) define sua cor.
 
Para o economista, “a cor do escravo de ontem se reproduz nos dias de hoje. Os negros e índios, escravos do passado, continuam sendo alvo de situações em que são obrigados a trabalhar sem direito ao próprio salário. É como se a escravidão se mantivesse como memória”.
 
Pretos e pardos são maioria entre a população mais pobre. Segundo o IBGE, entre os brasileiros que se encontravam entre os 10% mais pobres, 74% se diziam pretos ou pardos.
 
Para Paixão, ainda que hoje a cor não seja o único fator a determinar que um trabalhador esteja numa condição análoga à escravidão, o dado sugere que ser preto ou pardo eleva consideravalmente a probabilidade.

Em tempo: em entrevista à Record News, nesta última terça-feira, a professora Flávia Piovesan, especialista em direitos humanos, contou que estudo do professor Paixão mostra que no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, da ONU), o Brasil está em 70º. lugar. Se o Brasil fosse só de brancos, o IDH pularia para o 30º. lugar. Se fosse só de negros, cairia para 104º. lugar. Não, nós não somos racistas.

A propósito, também como singela homenagem a Kamel, clique aqui para ler o post sobre o artigo de Maria Rita Kehl, no Estadão, em que ela associa a decisão do Supremo sobre a Anistia ao assassinato sob tortura de um motoboy, num quartel da PM de Serra, em SP.

O Brasil dos brancos é rico. Dos negros é muito, muito pobre

    Publicado em 19/05/2010

Prof Paixão:
quando o Brasil terá os índices do Brasil só dos brancos ?




O programa Entrevista Record Atualidade que a Record News exibiu ontem mostrou uma entrevista com o professor Marcelo Paixão, do Instituto de Economia da UFRJ. Ele mostrou alguns dados que deveriam dar muito orgulho aos brasileiros (da elite):
Os negros brasileiros vivem seis anos menos que os brancos.
O número de analfabetos negros é o dobro do número de brancos.
A renda dos negros é a metade da renda dos brancos.
Os negros ficam dois anos a menos na escola que os brancos.
Se desmontarmos os números do IDH, índice do desenvolvimento humano, da ONU, veremos que se o Brasil fosse só dos brancos (O SONHO DA ELITE BRASILEIRA …) ficaria na 40a. posição do IDH.
O Brasil está na 70a.
Mas, se fosse só de negros, seria um país pobre africano e ficaria na 104a. posição.
Não, nada disso, nós não somos racistas.
Tanto assim, demonstra o professor Paixão, que entre 2003 e 2009 foram libertados 40 mil brasileiros.
Isso mesmo, amigo navegante, “libertados”, ou seja, abandonaram a posição de escravos, porque viviam em fazendas sob o regime servil: não recebiam remuneração para poder pagar dívidas impagáveis.
Desses 40 mil escravos, 73,5% eram negros.
Ora direis, mas o Brasil é um país negro.
Sim, 50,5% da população é negra.
Mas, dos escravos, 73,5% são negros.
Não, amigo navegante, o professor Paixão exagera.
Não,  não somos um país racista.
A última coisa de que o Brasil precisa é de ações afirmativas, como, por exemplo, cotas para negros nas universidades.
Isso é recurso de país pobre, subdesenvolvido, como os Estados Unidos.
E viva a democracia racial do Brasil !
Viva !



Em tempo: para demonstrar que nós não somos racistas, recomendamos a leitura dos posts (EUA e Brasil se unem para combater o racismo. Ué, mas nós somos racistas ?,   Chuíça (*): PMs de Serra espancam motoboy até a morte na frente da mãe e Polícia de Serra é racista e quis matar motoboy. Por que ele não criou uma Sec. de Segurança em SP? ) que tratam da morte do motoboy negro Eduardo, dentro de um quartel da PM de SP, e da transformação em réus, por crime racismo, dos PMS de São Paulo que mataram Alexandre, um motoboy negro.
Viva o Brasil !
Paulo Henrique Amorim

27/05/2010

Oficina de Extensão sobre linguagem, discurso e relação étnico racial do Programa Ações Afirmativas na UFMG

Programa Ações Afirmativas na UFMG
Faculdade de Educação - FaE /UFMG
Av. Antônio Carlos, 6627 - Pampulha
Belo Horizonte/MG CEP: 31.210-901
Tel.:  (31) 3409-6188  (31) 3409-6188
Horário de atendimento: segunda a sexta de 14 às 18 horas
Email: acoesafirmativas@yahoo.com.br

26/05/2010

Uma aula de Resistência e Luta. Greve da educação no Estado.

-  Eram duas horas da tarde desse 18 de Maio e a praça ainda estava vazia, chegava um ali outro aqui e nos olhos de quem era pontual com o horário de início de mais uma assembléia da Greve dos educadores de Minas um misto de ansiedade e angústia se esboçava nos olhares.
  A tensão era evidente, pois chegávamos a 42 dias de greve e o Governo resolverá endurecer de vez e lançar talvez a última cartada. Todos os jornais anunciavam que a Greve iria acabar e que o sindicato iria aceitar o acordo do Governo. Muito boato, muito zum, zum, zum e de certo havia apenas a informação que no dia seguinte a ordem de demitir todos(as) os contratados e abrir processo administrativo contra os efetivos seria cumprido a risca.

 Mas eis que chega um bumbo, entoando uma nota só com um cordão de educadores agitando-se em zigue e zague chamando a atenção da polícia e lá mais adiante chega um ônibus e dele dessem dezenas de mulheres com os rostos marcados pelo tempo, de semblante altivo e passo firme e não demora muito a praça antes vazia, vai se enchendo de graça, de vida, de gente trabalhadora, de força e emoção...

  Quarenta e dois dias de luta, de resistência, de enfrentamento e de muita pressão por parte do governo.
  Como não resolveu a mentira e a calúnia, veiculadas na imprensa pusilânime e vendida, como se não bastasse os pseudo- projetos de capacho-mor do Governo, que se lançam contra os grevistas,  camuflados de representantes de pais de alunos, que só aparecem para falar mal dos educadores e serem contra a Greve, se não bastasse a repressão policial, as infiltrações e perseguições, se não bastasse o descaso e a ingratidão dos fura greves, a letargia de alguns e a omissão de outros, agora veio o Sr. Governador ter uma recaída e achar que é Ditador, impondo a categoria o castigo da demissão caso não cessasse o movimento?!
-Deixa estar!
  Foi o que uma auxiliar de serviços gerais repetia a cada acusação feita ao governo e seus comparsas.

  Deixa estar... Pois será que ele se esqueceu que essa mesma categoria dobrou o autoritarismo da Ditadura Militar em 79 e contra balas e canhões nós tínhamos apenas a indignação ea coragem e vencemos!

  Deixa estar... Pois será que o Governo pensa que é tratando educadores como se fossem criminosos, fora da lei, com chibata e ameaças é que iremos recuar e como cordeirinhos voltar para as escolas, de cabeça baixa e ainda mais humilhados do que já somos?
Pois quem pratica crime contra a educação e está fora da lei é o próprio governador que endividou a máquina pública, não cumpre com a leido Piso Salarial em Minas, engana a população com as maquiagens feitas nas escolas, além de praticar falsidade ideológica quando diz que negocia e investe na educação!
 
Deixa estar... Pois não deu outra, em menos de uma hora toda a praça estava lotada de vida e dignidade e sem vacilar nossa categoria deu uma aula para o Brasil de como resistir e lutar pela respeito a quem educa e só tem o conhecimento e a palavra como armas contra tanta opressão, safadeza e exploração desferida sobre os trabalhadores(as).
   Se vai demitir, então que demita! Gritava um trabalhador.
Se vai cortar, então que corte logo, pois meu salário não enche meu armário! Gritava outro.
  E assim de protesto em protesto, de intervenção em intervenção, lado a lado, a multidão foi se aglomerando e no fim das falações o golpe final sobre aqueles que com mentiras e pressões veiculadas na imprensa apostavam fichas no fim da Greve.
 Quinze mil punhos cerrados na praça e um longo e estrondante grito de GREVE, GREVE, GREVE, foi a resposta da categoria para todo o mundo ouvir!
Braços cruzados escolas paradas é o resultado da falência do Governo Aécio Neves/ Anastásia (PSDB) que jogou no fundo do posso a educação pública de Minas afetando mais de 500 mil alunos em todo o Estado.
  Em Minas ainda se respira liberdade, apesar dos pesados pesares... Ainda se mantém a esperança, apesar do ódio e do medo que foram propagados... Ainda a vida e dignidade, apesar de tentarem nos encarcerar e nos matar com tanta indiferença e hipocrisia.
 
 Estão tentando acabar com o nosso movimento de todas as formas, fazer o que fizeram com nossos companheiros de São Paulo e nos dividir como aconteceu com os companheiros de Belo Horizonte. Mas a GREVE segue forte e quem está na luta segue unido e convencido cada vez mais de quem já não temos mais nada a perder a não ser as correntes da miséria que nos prendeu durante anos aoostracismo e a senzala ao qual se transformou a educação sob a tutela doGovernador encantado e maquiado, que um dia sonhou ser presidente do Brasil e aplicar seu choque de indigestão sobre o restante da nação.

Uma nova página da História da Luta dos trabalhadores (as) está sendo construída com sangue, suor e lágrimas nas ruas desse Estado a fora. Aqueles que ainda insistem em duvidar do poder da classe trabalhadora, da sua disposição e principalmente da sua força e unidade, que vá para as ruas e praças onde estamos dando uma aula de cidadania e luta, para aprender que não se deve subjugar e subestimar uma categoria radicalizada que já não tem mais nada a perder eque quanto mais o governo bate, mais unido, determinado e forte fica o nossomovimento.
 
 Viva a luta dos trabalhadores (as) em educação de Minas.
 Viva nossa vitoriosa GREVE.
 
  Fábio Bezerra.
  (Trabalhador em educação e membro da INTERSINDICAL)

19/05/2010

Professores decidem manter a greve na rede estadual de ensino e fazem passeata no centro


18/05/2010 16h52
ANNA FLÁVIA NUNES        
anna@otempo.com.br

Sem aulas há mais de um mês, os alunos da rede estadual vão continuar em casa. A decisão de manter a greve foi tomada na tarde desta terça-feira (18) pelos professores, que se reuniram às 14h na Praça da Assembleia, na região Centro-Sul da capital. Depois de decidirem os rumos do movimento, eles seguem em passeata pelo centro da cidade, o que complica o trânsito em toda a região. Os professores se concentrarão nas escadarias da Igreja São José.



Uma nova assembleia será realizada na próxima terça-feira (25). A categoria está em greve desde o dia 8 de abril. Uma decisão da Justiça, no último dia 4, considerou a greve ilegal. Durante a assembleia desta terça, a categoria avaliou as propostas feitas pelo governo em reunião realizada no dia 12 de maio. Na ocasião, os representantes dos professores deixaram o encontro com a promessa da secretária de Planejamento de que será feito um estudo sobre as formas de incorporação das gratificações ao vencimento básico da categoria.



Os professores querem elevação do piso salarial - de R$ 850 para R$ 1.312. O governo alega que por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRP) e a lei eleitoral, está impedido de aumentar os salários e oferece piso de R$ 935. A secretária garantiu ainda que o ponto dos dias parados não será cortado e que nenhum profissional da educação será demitido por causa da greve.


Fonte: http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=81518

Coletivo Fortalecer

O IMPÉRIO MANDA, AS COLÔNIAS OBEDECEM

artigo de Frei Betto e João Pedro Stédile, sobre acordos com Iran.
Jornal do Brasil,19 de maio 2010

Após a Segunda Guerra Mundial, quando as forças aliadas saíram vitoriosas, o governo dos EUA tentou tirar o máximo proveito de sua vitória militar.

Articulou a Assembléia das Nações Unidas dirigida por um Conselho de Segurança integrado pelos sete países mais poderosos, com poder de veto sobre as decisões dos demais.
Impôs o dólar como moeda internacional, submeteu a Europa ao Marshall, de subordinação econômica, e instalou mais de 300 bases militares na Europa e na Ásia, cujos governos e mídia jamais levantam a voz contra essa intervenção branca.
O mundo inteiro só não se curvou à Casa Branca porque existia a União Soviética para equilibrar a correlação de forças. Contra ela, os EUA travaram uma guerra sem limites, até derrotá-la política, militar e ideologicamente.
A partir da década de 90, o mundo ficou sob hegemonia total do governo e do capital estadunidenses, que passaram a impor suas decisões a todos os governos e povos, tratados como vassalos coloniais.

Quando tudo parecia calmo no império global, dominado pelo Tio Sam, eis que surgem resistências.
Na América Latina, além de Cuba, outros povos elegem governos antiimperialistas.

No Oriente Médio, os EUA tiveram que apelar para invasões militares a fim de manter o controle sobre o petróleo, sacrificando milhares de vidas de afegãos, iraquianos, palestinos e paquistaneses.

Nesse contexto surge no Irã um governo decidido a não se submeter aos interesses dos EUA.
Dentro de sua política de desenvolvimento nacional, instala usinas nucleares e isso é intolerável para o Império.
A Casa Branca não aceita democracia entre os povos. Que significa todos os países terem; direitos iguais. Não aceita a soberania nacional de outros povos. Não admite que cada povo e respectivo governo controlem seus recursos naturais.
Os EUA transferiram tecnologia nuclear para o Paquistão e Israel, que hoje possuem bomba atômica. Mas não toleram o acesso do Irã à tecnologia nuclear, mesmo para fins pacíficos.
Por quê? De onde derivam tais poderes imperiais? De alguma convenção Internacional? Não, apenas de sua prepotência militar.
Em Israel, há mais de vinte anos, Moshai Vanunu, que trabalhava na usina atômica, preocupado com a insegurança que isso representa para toda a região, denunciou que o governo já tinha a bomba. Resultado: foi sequestrado e condenado à prisão perpetua, comutada para 20 anos, depois de grande pressão internacional.
Até hoje vive em prisão domiciliar, proibido de contato com qualquer estrangeiro.

Todos somos contra o armamento militar e bases militares estrangeiras em nossos países. Somos contrários ao uso da energia nuclear, devido aos altos riscos, e ao uso abusivo de tantos recursos econômicos em gastos militares.
O governo do Irã ousa defender sua soberania.

O governo usamericano só não invadiu militarmente o Irã porque este tem 60 milhões de habitantes, é uma potência petrolífera e possui um governo nacionalista.
As condições são muito diferentes do atoleiro chamado Iraque.

Felizmente, a diplomacia brasileira e de outros governos  se envolveu na contenda. Esperamos que sejam respeitados os direitos do Irã, como de qualquer outro país, sem ameaças militares. Resta-nos torcer para que aumentem as campanhas, em todo mundo, pelo desarmamento militar e nuclear. Oxalá o quanto antes se destinem os recursos de gastos militares para solucionar problemas como a fome, que atinge mais de um bilhão de pessoas.

Os movimentos sociais, ambientalistas, igrejas e entidades internacionais se reuniram recentemente em Cochabamba, numa conferência ecológica mundial, convocada pelo presidente Evo Morales.
Decidiu-se preparar um plebiscito mundial, em abril de 2011.
As pessoas serão convocadas a refletir e votar se concordam com a existência de bases militares estrangeiras em seus países; com os excessivos gastos militares e que os países do Hemisfério Sul continuem pagando a conta das agressões ao meio ambiente praticadas pelas indústrias poluidoras do Norte.
A luta será longa, mas nessa semana podemos comemorar uma pequena vitória antiimperialista.

Frei Betto é escritor, João Pedro Stédile integra a direção da Via Campesina

15/05/2010

Bienal do livro: Africanidades. Imperdível!


EXPOMINAS



- DOMINGO 16/05/2010, 15h, Livro Afro Infantil: Capoeira - Cultura Afrobrasileira (Alanson Costela)LANÇAMENTO DE LIVRO "Uma roda um arco-íris, camará!", de Alanson Costela. Interação com o capoeirista e professor Costela, seguida de SESSÃO DE AUTÓGRAFOS e FOTOS divertidas. Roda de capoeira para todas as idades. Você não pode perder!

16/05/2010, 17h, Africanidades na Educação LANÇAMENTO DE LIVRO: "Educação e cultura africana e afrobrasileira: cruzando oceanos" - Prof. Dr. José de Sousa Miguel Lopes (MOÇAMBIQUE)Destaque à produção bibliográfica de escritores(as)africanos(as) e afrobrasileiros(as), promovendo a satisfação dos leitores com BATE-PAPO AFRO, SESSÃO DE AUTÓGRAFOS e a degustação do saboroso Chá de Caxinde (Angola)!

17 de maio/2010 – SEGUNDA-FEIRA 17/05/2010, 15h, FORMAÇÃO DE PROFESSORES
- Africanidades na Educação (Rosa Margarida Rocha e Iris Amâncio)  ATENDIMENTO PEDAGÓGICO GRATUITO AO(À) PROFESSOR(A), COM ROSA MARGARIDA ROCHA E IRIS AMÂNCIO: - FORMAÇÃO DE PROFESSORES e KITS AFROLITERÁRIOS: suporte pedagógico para professores da Educação Básica, no âmbito das estratégias de implementação das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008; apoio a gestores educacionais, com orientações para a montagem de kits afro bibliográficos para escolas e bibliotecas. - APOIO PEDAGÓGICO PARA SEMINÁRIOS, MINICURSOS e OFICINAS: socialização de conhecimentos nas diversas áreas das africanidades, por meio da interação com saberes étnicos tradicionais e acadêmicos; atividades organizadas mensalmente, com certificados para os participantes.

18 de maio/2010 – TERÇA-FEIRA 18/05/2010, 10h, FORMAÇÃO DE PROFESSORES - Africanidades na Educação (Rosa Margarida Rocha e Iris Amâncio) ATENDIMENTO PEDAGÓGICO GRATUITO AO(À) PROFESSOR(A), COM ROSA MARGARIDA ROCHA E IRIS AMÂNCIO: - FORMAÇÃO DE PROFESSORES e KITS AFROLITERÁRIOS: suporte pedagógico para professores da Educação Básica, no âmbito das estratégias de implementação das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008; apoio a gestores educacionais, com orientações para a montagem de kits afro bibliográficos para escolas e bibliotecas. - APOIO PEDAGÓGICO PARA SEMINÁRIOS, MINICURSOS e OFICINAS: socialização de conhecimentos nas diversas áreas das africanidades, por meio da interação com saberes étnicos tradicionais e acadêmicos; atividades organizadas mensalmente, com certificados para os participantes.

18/05/2010, 11h, CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS AFRICANAS
(Madu Costa) Performance literária com a escritora Madu Costa. CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS AFRICANAS, em momento gostoso, divertido e de muita aprendizagem sobre os valores tradicionais das culturas africanas.

18/05/2010, 15h, OFICINA:
Eventos pedagógicos de/sobre Africanidades (Kelly Oliveira) Socialização de conhecimentos nas diversas áreas das africanidades, por meio da interação com saberes étnicos tradicionais e acadêmicos, orientação para a concepção e desenvolvimento de SEMINÁRIOS, MINICURSOS e OFICINAS sobre África e AfroBrasil em atividades e projetos educacionais e culturais. Facilitadora: Kelly Cristina Oliveira.

QUARTA-FEIRA 19/05/2010, 10h, OFICINA:
Eventos pedagógicos de/sobre Africanidades (Kelly Oliveira) Socialização de conhecimentos nas diversas áreas das africanidades, por meio da interação com saberes étnicos tradicionais e acadêmicos, orientação para a concepção e desenvolvimento de SEMINÁRIOS, MINICURSOS e OFICINAS sobre África e AfroBrasil em atividades e projetos educacionais e culturais. Facilitadora: Kelly Cristina Oliveira.

19/05/2010, 15h, CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS AFRICANAS
(Madu Costa) Performance literária com a escritora Madu Costa. CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS AFRICANAS, em momento gostoso, divertido e de muita aprendizagem sobre os valores tradicionais das culturas africanas. 22/05/2010, 16h, Livro Afro Infantil - " As aventuras de Kito: o dragão e as piri-piri vermelhas", de Marcos Roberto Nascimento (Diversidade cultural; educação ambiental) LANÇAMENTO DE LIVRO: "As aventuras de Kito: o dragão e as piri-piri vermelhas" (Diversidade cultural, educação ambiental), de Marcos Roberto Nascimento. Fogo, solidariedade e consciência ambiental: a emocionante história de amizade entre o menino e o dragão, no reino das piri-piri vermelhas. BATE-PAPO ecológico com o autor Marcos Nascimento, seguido de SESSÃO DE AUTÓGRAFOS e FOTOS divertidas. Distribuição e degustação de piri-piri vermelhas. Prepare-se para essa ardente emoção!!!...Aguardamos você e suas crianças!

22/05/2010, 17h, Livro Infantil -
"Bolongo, o gatinho de mãos no bolso" (Diversidade cultural)
LANÇAMENTO DE LIVRO: "Bolongo, o gatinho de mãos no bolso" , de Paulo César Mello (Diversidade cultural) Conheça a história de Bolongo, o gato que aprendeu a conviver com a diversidade, a assumir suas identidades e a respeitar as diferenças. SESSÃO DE AUTÓGRAFOS e FOTOS divertidas com o autor e os amigos desse gato esperto e acolhedor. Distribuição de guloseimas infantis (pipocas e balas), brindes e balões. Você não pode perder. Aguardamos vocês, gatinhos e gatinhas! Presença confirmada do gato Bolongo, para a sessão de autógrafos!

22/05/2010, 18h, Livro Afro Infantil -
"A verdadeira história do SACI PERERÊ” (Iris Amâncio e Anderson Feliciano) LANÇAMENTO DE LIVRO: "A verdadeira história do SACI PERERÊ", de Iris Amâncio e Anderson Feliciano. Momento divertido em que o Saci Pererê contará sua verdadeira história, esclarecendo dúvidas e fofocas em relação à sua pessoa. SESSÃO DE FOTOS com o Saci Pererê. Distribuição de Sacis para você criar um na sua casa! Aguardamos você e suas crianças!

22/05/2010, 19h, LIVRO Formação de professores e Religiões de Matrizes Africanas - (Erisvaldo Pereira dos Santos) LANÇAMENTO DE LIVRO:
"Formação de professores e Religiões de Matrizes Africanas: um diálogo necessário (Prof. Dr. Erisvaldo Pereira dos Santos/UFOP) Destaque à produção bibliográfica de escritores(as) africanos(as) e afrobrasileiros(as), promovendo a satisfação dos leitores com BATE-PAPO AFRO, SESSÃO DE AUTÓGRAFOS e a degustação do saboroso Chá de Caxinde (Angola)! Diálogo esclarecedor sobre as Religiões de Matrizes Africanas, contra a intolerância religiosa, pela paz!..

.22/05/2010, 19h, LIVROS - África, Negritude , Diáspora e intelectualidade negra LANÇAMENTO DE LIVROS:
"A África que incomoda" (2a. edição), "Marxismo e a questão racial" e "Discurso sobre a Negritude", Aimé Césaire (Org.), do etnólogo Carlos Moore (Cuba). Momento de crítica e reflexão sobre as relações raciais no mundo contemporâneo. BATE-PAPO AFRO, SESSÃO DE AUTÓGRAFOS e debate, com degustação do saboroso Chá de Caxinde (Angola)! Aguardamos você e seus amigos.

23/05/2010, 15h, DANÇA AFRO -
Oficina com a bailarina Júnia Bertolino Oficina de DANÇA AFRO, com a bailarina e coreógrafa Júnia Bertolino. Socialização de técnicas e , movimentos corporais de matrizes africanas. Interação com sons, gestos e saberes ancestrais africanos. Venha dançar afro você também!

23/05/2010, 16h CULTURA AFRICANA - CABO VERDE (Pedro Matos) BATE-PAPO AFRO: "Ilha do Fogo",com o caboverdiano Pedro Matos. Interação com a ambiência cultural da Ilha do Fogo (Cabo Verde), com imagens, artesanato, culinária e saberes tradicionais. Degustação de prato tradicional de Cabo Verde, à base de milho. 23/05/2010, 16h, OFICINA: Bonecas Negras OFICINA DE ARTE-EDUCAÇÃO, com a artista plástica e assistente social Rosemary Ramos. Confecção de bonecas negras, em diálogo descontraído sobre a diversidade etnicorracial brasileira. Facilitação pedagógica para crianças e educadores.

23/05/2010, 17h, LIVRO: “Pedagogia da diferença” 
 - Tradição Oral Africana na Educação- (Rosa Margarida de Carvalho Rocha) SESSÃO DE AUTÓGRAFOS com a pedagoga Rosa Margarida Rocha. Destaque à produção bibliográfica contemporânea sobre África na Educação Básica e socialização de alternativas para o diálogo efetivo entre os princípios da tradição oral africana e a prática pedagógica. Como trabalhar a cosmovisão africana na escola? De que maneira os rituais pedagógicos podem dialogar com os valores éticos, filosóficos e culturais africanos? Estas e outras perguntas serão respondidas e debatidas pela renomada pedagoga. Distribuição do mapa da África. Aguardamos você, educador(a), para essa viagem pedagógica com Rosa Margarida.

23/05/2010, 18h, LIVRO: "Poemas da recordação e outros movimentos" (POESIA AFROBRASIEIRA),
Conceição Evaristo PERFORMANCE POÉTICA e SESSÃO DE AUTÓGRAFOS com a renomada escritora Conceição Evaristo. BATE-PAPO AFRO e reflexão crítica sobre as relações de gênero e raça na sociedade brasileira. LIVRO: "Poemas da recordação e outros movimentos" (Finalista do Prêmio Portugal Telecom 2009, uma das 50 melhores publicações literárias em Língua Portuguesa no mundo em 2008).

23/05/2010, 18h, LIVRO: "No fundo do canto" (POESIA DA GUINÉ-BISSAU),
Odete Semedo PERFORMANCE POÉTICA e SESSÃO DE AUTÓGRAFOS com a renomada escritora guineense Odete Semedo. BATE-PAPO AFRO e reflexão crítica sobre as relações de gênero e raça na sociedade guineense. LIVRO: No fundo do canto" (Kit literário da Prefeitura de Belo Horizonte, 2010).

23/05/2010, 19h, LIVRO: "Falanges" (POESIA AFROBRASIEIRA), SESSÃO DE AUTÓGRAFOS e BATE-PAPO AFRO com o ator, escritor e performer multimídia Benjamin Abras. Interação com os valores e a estética do Candomblé, por meio da poesia e da sensibilidade artística.

23/05/2010, 20h, Religiões de Matrizes Africanas
(Africanidades na Educação), Rubens Silva LANÇAMENTO DE LIVRO: "Catolicismo Negro ou Negros Católicos?", do antropólogo e professor Rubens Alves da Silva (UFMG). Reflexão sobre as heranças africanas em Minas Gerais, a tradição do Congado mineiro e o diálogo contínuo entre as manifestações religiosas afromineiras e o Catolicismo.

Fonte: Coletivo Fortalecer.

02/05/2010

Asilo Presidencial para Battisti

O Movimento de Solidariedade com Cesare Battisti deseja a todos Feliz 2010!

 


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To:  President of Brasil Exmo. Sr. Presidente do Brasil
Luiz Inácio Lula da Silva

Os abaixo assinados vimos, muito respeitosamente, oferecer a V. Exa. toda a força e apoio para o vosso governo REJEITAR as intensas e arrogantes pressões que tentam impor a extradição do literato e perseguido político Cesare Battisti.

Pedimos a V. Exa., que chefia o governo mais popular da história do Brasil, que, no momento adequado, CONCEDA ASILO POLÍTICO SOB RESPONSABILIDADE PRESIDENCIAL a Battisti, garantindo-lhe, em seguida, uma fórmula migratória permanente, para que possa trazer a família a este país e nele trabalhar em paz.

Como V. Exa. sabe, Cesare Battisti foi condenado à prisão perpétua sem luz solar (um castigo que já não existe em nenhum país civilizado!) por quatro crimes DOS QUAIS NÃO EXISTE NENHUMA PROVA NEM TESTEMUNHA OCULAR, tendo sido todo seu processo forjado a partir de DELAÇÕES PREMIADAS.

Além de levar os promotores italianos a, ridiculamente, atribuírem a Battisti dois homicídios ocorridos num intervalo de tempo insuficiente para ele transpor a distância entre ambas as cidades, de forma que a acusação teve de ser reescrita quando tal impossibilidade material ficou demonstrada, seu principal delator chegou a ser repreendido pelo magistrado de outro processo pela contumácia com que proferia falsas acusações.

Vossa decisão, Senhor Presidente, será também uma atitude de PROTEÇÃO AO INSTITUTO DO REFÚGIO/ASILO, seriamente ameaçado pela invasão do STF na área do Executivo.

Também se constituirá numa demonstração de afeto para com nosso povo, humilhado, insultado e injuriado obscenamente pelas autoridades italianas, com o apoio das colonizadas e subservientes elites brasileiras (especialmente a mídia).

Battisti escreveu 17 livros, fundou duas revistas virtuais, organizou numerosos congressos culturais e a 1ª Bienal de Artes Gráficas do México. Ele será tão útil para nossa cultura quanto o foi, quando se refugiou no México, o também escritor Gabriel Garcia Márquez (signatário, por sinal, de uma mensagem de apoio a Battisti).

A salvação de Battisti será a coroação de OITO anos de luta pela preservação da dignidade, independência e generosidade de nosso povo.

Atenciosamente,

OS ABAIXO ASSINADOS

Sincerely,
The Undersigned


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01/05/2010

Encontro debate discriminação na educação


Sexta Assembleia da Campanha Latinoamericana pelo Direito à Educação (Clade) reunirá especialistas de 19 países

da Redação


São Paulo sediará, entre os dias 3 e 5 de maio, a 6ª Assembleia da Campanha Latinoamericana pelo Direito à Educação (Clade), que terá como tema "A educação é um direito: pela não discriminação na América Latina e no Caribe". O foco do encontro serão as múltiplas formas de discriminação, bem como outros obstáculos que configuram graves violações ao direito à educação.

De acordo com a Clade, apenas de 20% a 30% das crianças com deficiência frequentam a escola. Na Colômbia, de cada 100 jovens afrodescendentes que terminam o ensino médio, apenas dois têm acesso a estudos superiores. No Peru, 21% das pessoas adultas indígenas são analfabetas, contra apenas 4% das pessoas que falam o espanhol como primeira língua.

No Brasil, pesquisa mostrou que 99% da comunidade escolar admitem ter preconceito com algum grupo, como afrodescendentes, indígenas ou pessoas com deficiência (FIPE).


Programação

A abertura das atividades acontecerá na segunda-feira (03), às 18h30min, no Memorial da América Latina (Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda). Estarão presentes o Relator Especial das Nações Unidas sobre o Direito à Educação – Vernor Muñoz; da Procuradora da República em São Paulo, Eugênia Fávero; e de representantes de organizações e campanhas de promoção do direito à educação de 19 países. A atividade poderá ser acompanhada ao vivo pela internet, por meio do endereço eletrônico www.campanaderechoeducacion.org/aovivo.

Na mesma noite, ocorrerá a abertura da exposição fotográfica “La educación es un derecho: por la no discriminación en América Latina y el Caribe”, mostra itinerante realizada pela Clade, composta por cerca de 40 imagens.

Na quarta-feira (04), às 20h, haverá o lançamento do relatório “El Derecho a la Educación Vulnerado – La Privatización de la Educación en Centroamérica”, publicado pela Clape e pelo Foro Latinoamericano de Políticas Educativas (Flape) no Centro Cultural Rio Verde (Rua Belmiro Braga, 119 – Vila Madalena).

Já na quinta (05), o relator da ONU estará novamente no Memorial da América Latina, a partir das 10h, para participar de um debate aberto com estudantes e professores sobre o tema da discriminação na educação.

Mais informações sobre o encontro podem ser acessadas em http://clade2010.wordpress.com.

Fonte: Jornal Brasil de Fato.

24/04/2010

Calendário REPOSIÇÃO.

Secretaria Municipal de Educação

PORTARIA SMED Nº 027/2010

Altera disposições da Portaria SMED Nº 230/2009.


A Secretária Municipal de Educação, no exercício de suas atribuições legais, observadas as disposições da Lei Federal Nº 9394/96, suas normas complementares e considerando a necessidade de serem estabelecidos novos parâmetros para a elaboração do Calendário de Reposição em decorrência da greve, no período de 16 de março a 13 de abril de 2010,

RESOLVE:

Art.1º - Ficam alterados os incisos III,IV, VI e IX do Art.3º:

“Art. 3º...

(...)

III- Término do ano letivo: até 23 de dezembro;

IV – Término do ano escolar: até 23 de dezembro;

(...)

VI – Recessos escolares comuns: 4 de junho, 6 de setembro, 11, 13, 14 e 15 de outubro e 1º de novembro, podendo esses serem utilizados como dias letivos ou escolares;

(...)

IX – 10(dez) sábados letivos, no máximo.”


Art.2º - O Art. 4º passa a ter a seguinte redação:


“Art. 4º – Compete ao (a) Diretor(a) da Escola fazer cumprir as determinações desta Portaria e encaminhar o Calendário Escolar com a reposição dos dias não trabalhados à GAVFE, para conhecimento, análise e aprovação até o dia 17 de maio de 2010.”


Art. 3º - Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.


Belo Horizonte, 19 de abril de 2010


Macaé Maria Evaristo

Secretária Municipal de Educação

Fonte: http://portal6.pbh.gov.br/dom/iniciaEdicao.do?method=DetalheArtigo&pk=1030816

Coletivo Fortalecer                                     
                                                                                             
                                                                                    PARA REFLETIRMOS SOBRE NOSSA GREVE!



Bem pertinente esta reflexão.
















Fonte: http://diariodoprofessor.blogspot.com/

20/04/2010

Reforma Agrária, uma bandeira de toda a sociedade e deveria ser ensinado nas escolas.


ARTIGO
Jornada Nacional da Reforma Agrária é de extrema importância para a maioria das pessoas, apesar do tratamento da mídia
  
A CUT é parceira histórica do MST e tem orgulho disso. A busca por um novo modelo agrário para o Brasil é luta mais que justa, digna. É também de interesse de todos os brasileiros e brasileiras, pois a reforma agrária e a valorização da agricultura familiar são fatores de desenvolvimento nacional, de soberania, de inteligência estratégica frente a um modelo econômico exaurido, para rumar a uma nova sociedade.

É uma luta de combate à pobreza, claro, e para por fim a práticas que deveriam estar extintas há muito tempo no Brasil, como já aconteceu em países desenvolvidos, ainda que capitalistas. Terras improdutivas na mão de umas poucas famílias, muitas recorrendo ao emprego de trabalho escravo e outras tantas usurpando dinheiro e terras públicos, utilizando-se de grilagem ou de subsídios e incentivos fiscais para, em troca, não gerar emprego, não produzir alimentos para a sociedade, para não pagar tributos.

São razões suficientes para qualquer cidadão se sentir parte interessada na reforma agrária. Se todos ainda pudessem entrar em contato com assentamentos bem organizados nascidos da luta pela terra, o apoio popular seria ainda maior, seria imenso. Essa luta é por um país desenvolvido, antenado com o século 21, que gera riquezas e inclui seu povo, onde crianças são saudáveis e idosos têm dignidade. É a busca por um novo eixo para distribuir renda e ainda respeitar o meio ambiente.


A Jornada Nacional da Reforma Agrária que acontece agora em abril é, portanto, de extrema importância para a maioria das pessoas. Pena que os meios de comunicação insistam em tratar o movimento dos trabalhadores rurais sem terra como se fosse criminoso. A partir de generalizações e raciocínios fáceis, tentam vender a imagem de que existem outros caminhos para a reforma, como se houvesse por aí várias pequenas propriedade rurais à venda para quem quiser produzir e que, por isso, as ocupações seriam um jeito malandro, faceiro, de escapar daquele único destino que credenciaria as pessoas como “gente de bem”: trabalhar muito, guardar economias por anos e anos e, aí sim, ousar ter uma propriedade.

Dessa forma apelativa, tentam confundir as pessoas, incluindo especialmente as pessoas de bem. Mas os grandes meios de comunicação esquecem, de propósito, de contar um detalhe fundamental que, revelado, seguramente desfaz qualquer engano ou efeito ilusório: não há um conjunto de propriedades rurais à venda para pequenos agricultores, o que existem são imensos latifúndios, cercados de arame farpado e de jagunços armados, muitos sem nada produzir, sendo que deles foram desalojados de maneira criminosa, tempos atrás, muitos dos que hoje buscam a reforma agrária e aqueles que os antecederam nessa luta.

As ocupações são um instrumento justo porque, muitas vezes, o único. Por isso pressionamos governos para que abracem politicamente a luta e adotem instrumentos que façam a reforma agrária avançar concretamente. Nossos sindicatos, rurais ou urbanos, têm em suas pautas reivindicatórias as bandeiras da atualização dos índices de produtividade da terra – os índices atualmente aplicados referem-se à realidade produtiva agrícola que existia há mais de 30 anos -, pela aprovação da PEC do trabalho escravo – terra onde for flagrada escravidão, desaproprie-se para a reforma agrária – e da aprovação do limite de propriedade da terra.

Em diversos estados onde o movimento atua, a CUT ajuda como pode. No interior de São Paulo, por exemplo, recentemente lideranças nossas acompanharam de perto o drama de dirigentes do MST presos.

Nossos sindicatos de trabalhadores rurais, na Contag e na Fetraf, dedicam-se intensamente a também realizar ocupações e a buscar sem trégua a melhoria do apoio à agricultura familiar e à estrutura latifundiária, especialmente através de nossas mobilizações do Grito da Terra e da Jornada Nacional de Lutas da Agricultura Familiar. Incluímos aí propostas econômicas para viabilizar, dinamizar e profissionalizar a pequena produção, esta que é, segundo não apenas evidências mas também uma recente pesquisa do IBGE, a locomotiva da produção de alimentos para os brasileiros e a principal aliada do respeito à natureza e a proteção das matas. Essa pesquisa do IBGE, por sinal, traz dados que comprovam avanços e, por isso, nos estimulam no combate.

Por Artur Henrique*

18/04/2010

Como o Lacerda e o Aécio recebem os índios em nossa cidade. Inacreditável!


 http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/minas/pataxo-e-impedido-de-vender-artesanato-na-feira-1.106458

Gente,
é muito difícil "engolir" o que aconteceu.(me refiro ao fim da greve dos professores).
Ainda está entalado em nossas gargantas aquela vontade de "botar a boca no mundo" e xingar esse governo que nos oprime e tenta calar a nossa voz.


Talvez por isso, hoje, dia 18 de abril, em plena Av Afonso Pena, tomei o partido dos Índios e enfrentei a tropa de choque da prefeitura para defendê-los. Tinha um tanto de gente olhando boquiabertos, a covardia praticada pelos funcionários do Lacerda e do Aécio Neves, sem no entanto fazerem nada. Apenas olhavam com ar de reprovação aquela cena deprimente: Um grupo de índios vindos do norte de Minas, com seu artesanato para tentar vender na cidade grande e sendo impiedosamente impedidos de fazê-lo.

Não eram bandidos nem ladrões. Apenas índios indefesos e inofensivos sendo cercados por policiais armados, em nome de uma prefeitura arrogante e autoritária.
Não deixaram que vendessem o seu produto. Isolaram-os num canto e impediram as pessoas de comprarem deles. Uma coisa horrível! Fiquei quase o tempo todo ao lado deles e defendi-os o quanto pude, sendo a todo instante ameaçada por aqueles policiais arrogantes que tentavam me intimidar. Se o povo não estivesse alí dando força, eu teria sido levada para a delegacia, com certeza.
Precisei sair antes do desfecho do caso.
Assim que vi a imprensa dando cobertura, saí e não fiquei sabendo o que aconteceu no final.
Estou colocando aqui no blog esse relato, para que fiquem sabendo o que anda acontecendo em nossa cidade e que a mídia nao divulga, dando ênfase. Os políticos que temos e que o povo colocou no poder,  não os representam.
 Usam desse poder para oprimir esse mesmo povo que os elegeu.

No dia do índio, que triste história tenho para contar para meus alunos, sobre a realidade dos índios no Brasil!

Porque nós professores e professoras não somos respeitadas? Porque somos professores e professoras de Pobres e nesse governo, pobre não tem vez!

 É assim que agem nas favelas, nas desocupações de imóveis improdutivos (ex: Ocupação Dandara) e em todos os lugares onde os pobres tentam se organizar! Não podemos ficar omissos! Temos que tomar partido, temos que ficar do lado dos mais fracos e denunciar sempre, os abusos cometidos por autoridades, sem autoridade moral para nos representar. Queremos justiça, não autoritarismo!

Alguns endereços para pesquisa:

http://violinoaprendiz.blogspot.com
http://aprendizarteatelie.blogspot.com
http://tecendo-historias.blogspot.com
http://mate-magica.blogspot.com
http://bem-bolado-projetos.blogspot.com
http://dedinhos-lambuzados.blogspot.com

17/04/2010

A greve que parte da mídia quer que não vejamos!

sexta-feira, 16 de abril de 2010




Momento da Greve dos educadores de Minas durante a assembléia de ontem. A foto foi tirada pela professora Alessandra, uma das 8 mil trabalhadoras/trabalhadores que lotaram o pátio da ALMG.

Infelizmente nem toda a mídia enxergou este grande movimento, que parou o trânsito de BH e recebeu o apoio de milhares de pessoas que viram a passeata e os atos públicos.

O pretenso "grande jornal dos mineiros", o jornal
Estado de Minas, por exemplo, nem citou o acontecimento. Tanto na capa do jornal, como no interior. Pobres dos leitores que dependerem deste jornal para se informarem. Já o jornal O Tempo pelo menos colocou uma grande foto da Assembléia na capa e tratou do assunto em matéria interna. Já o Hoje em Dia
tratou do assunto com pequena matéria interna. Rádios e jornais falaram pouquíssimo do assunto, a não ser criticar o que chamam de "tumulto" no trânsito, que a passeata teria provocado.

É essa gente que enche o peito para falar em
liberdade, em democracia, quando escondem um acontecimento tão importante quanto a paralisação de centenas de escolas em Minas e a triste realidade da Educação no estado. Mas, não adianta eles esconderem: nós estamos em greve, somos mais de 200 mil trabalhadores e em contato com milhares de pessoas diariamente. É gente demais pra eles esconderem debaixo do tapete! A greve continua! Gostem eles ou não!


Fonte: Blog do Euler  -    Coletivo Fortalecer

14/04/2010

A educação em BH não tem sindicato.

Me recuso a chamar de SINDICATO uma instituição que ao invés de unir o movimento, trabalha para a sua desunião.
Uma categoria dividida é uma categoria sem força. Saudades eu tenho da época em que Lula fazia parar o Brasil com sua demonstração de força, enfrentando ditadores, cadeia e tudo o que viesse pela frente para defender uma categoria. Não é à toa que ele chegou à presidência.
O que temos hoje? Uma caricatura de sindicato. Não estou nem querendo tanto, não precisa ser um Lula, mas pelo menos, uma diretoria que pudesse ter um pouco de dignidade e não "borrar" de medo de um prefeito de merda, que não entende nada de poder público.
O que aconteceu foi isso, se não foi coisa pior (estou me referindo a "negociatas" por debaixo dos panos) que a gente nem fica sabendo. Tudo é possível, nesse mundo de corruptos. Realmente, como disse uma colega:  "Muito estranho que o Lacerda tenha afirmado que a greve iria acabar nesta semana, como se já soubesse de alguma coisa...
Agora, lendo o jornal O TEMPO, (leiam abaixo) uma declaração dizendo que o movimento estava fraco. Fraco o Scambau! O que havia de fato, era uma vontade enorme de continuarem a greve e uma Assembléia lotada!


 

12/04/2010

Game Over para os professores!


Fim de jogo!

Realmente, somos o que pensamos! Se vc não acredita que vale, vc não vale. Infelizmente, ficou provado que temos a educação que merecemos. Os próprios professores não acreditam no seu valor. Por isso vai continuar aquela velha história: O patrão finge que paga e o empregado finge que trabalha. É claro que não vale para todo mundo. Tem muito professor sério e que, pelo menos tenta fazer um bom trabalho. Porém, tem aqueles que não tem criatividade e que "pensam pequeno". Esses, com certeza, estão achando que são muito bem pagos pelo trabalho que realizam, já que não realizam nada...
Para esses, o aumento de 4,11% concedido pela prefeitura está ótimo!

Ficou provado também, que nosso sindicato na realidade, não nos representa, pois partiu da diretoria, a decisão de terminar com a greve. Consideraram uma vitória a esmola que o prefeito nos deu; Consideraram uma vitória o fato de não cortarem nossos salários. Agora pergunto:
- Que vitória é essa?!  Foi para isto que paralisamos nossas atividades por mais de 20 dias? Foi para isto que causamos todo esse transtorno nas ruas e avenidas da cidade, gastando nossas vozes, nossas pernas e braços, nossa energia? Causamos um enorme transtorno em toda a sociedade, principalmente, para as mães e pais que tem crianças em idade escolar. Tudo isso, para conseguir 4.11% a mais em nossos míseros salários.(dividido em 2 vezes) há, há, há! Nem é pra rir, mas a gente ri assim msmo. De desespero!

Fazer greve é desgastante, é estressante e muito difícil! Carregamos nas costas o peso da responsabilidade de uma sociedade desinformada, que nos culpa por seus filhos estarem sem escola.
Depois desse fiasco, quem é que se arriscará a entrar novamente, numa maratona dessas? E se entrarmos, nossos patrões irão rir às nossas custas, já sabendo antecipadamente, o resultado.
Isso é desestimulante, é desanimador! Confesso que estou com um gosto amargo na boca. Um gosto de derrota.

Proponho uma tomada de decisão por parte da Educação Infantil e de quem quiser nos apoiar, para formarmos uma espécie de Assossiação da Educação Infantil e reivindicar nossos direitos. Temos muito o que reivindicar. Nossa categoria está com a auto estima baixa e isoladas na luta para conseguir conquistar melhores condições de trabalho e melhores salários. Precisamos nos valorizar, para sermos respeitadas como parte do sistema de educação, senão seremos consideradas apenas cuidadoras, como quer a prefeitura. Isto não é bom  para nós, nem para as crianças, é claro!
I

10/04/2010

Tragédia no Rio. Omissão do poder público.

Nota de esclarecimento
                                                                                                            
Nós, moradores de favelas de Niterói, fomos duramente atingidos por uma tragédia de grandes dimensões. Essa tragédia, mais do que resultado das chuvas, foi causada pela omissão do poder público.  A prefeitura de Niterói investe em obras milionárias para enfeitar a cidade e não faz as obras de infra-estrutura que poderiam salvar vidas.  As comunidades de Niterói estão abandonadas à sua própria sorte.

Enquanto isso, com a conivência do poder público, a especulação imobiliária depreda o meio ambiente, ocupa o solo urbano de modo desordenado e submete toda a população à sua ganância.
Quando ainda escavamos a terra com nossas mãos para retirarmos os corpos das dezenas de mortos nos deslizamentos, ouvimos o prefeito Jorge Roberto Silveira, o secretário de obras Mocarzel, o governador Sérgio Cabral e o presidente Lula colocarem em nossas costas a culpa pela tragédia. Estamos indignados, revoltados e recusamos essa culpa. Nossa dor está sendo usada para legitimar os projetos de remoção e retirar o nosso direito à cidade.
Nós, favelados, somos parte da cidade e a construímos com nossas mãos e nosso suor. Não podemos ser culpados por sofrermos com décadas de abandono, por sermos vítimas da brutal desigualdade social brasileira e de um modelo urbano excludente. Os que nos culpam, justamente no momento em que mais precisamos de apoio e solidariedade, jamais souberam o que é perder sua casa, seus pertences, sua vida e sua história em situações como a que vivemos agora.
Nossa indignação é ainda maior que nossa tristeza e, em respeito à nossa dor, exigimos o retratamento imediato das autoridades públicas.
Ao invés de declarações que culpam a chuva ou os mortos, queremos o compromisso com políticas públicas que nos respeitem como cidadãos e seres humanos.
 
Comitê de Mobilização e Solidariedade das Favelas de Niterói
Associação de Moradores do Morro do Estado
Associação de Moradores do Morro da Chácara
 8de abril de 2010 às 12:50

“A mídia critica nossas ocupações, mas faz vista grossa às terras griladas pela Cutrale e Daniel Dantas”
por Conceição Lemes



Não deixem de ler o CONVERSA AFIADA   
 PAULO HENRIQUE AMORIM

TODO NOSSO APOIO AO MST!

Olá pessoal,
O tema deste mês de nossa plenária é a "Questão da terra urbana e rural". Tema que mostra sua atualidade a partir da tragédia do Rio de Janeiro. E, que nos remete as lutas dos movimentos em BH que fazem ocupação das terras, exigindo uma reforma urbana,  conseguindo vitórias importantes, como é a ocupação Dandara, que comemora neste sábado, 1 ano da ocupação. E, o MST tem sido um símbolo na luta pela reforma agrária e por um projeto popular para a sociedade.

Sabemos que, como diz Joao Pedro Stédile, a diferença entre o Governo Lula e FHC, é que no governo atual tem mais diálogo. Porém, "Infelizmente, em ambos os governos, não houve desconcentração da propriedade da terra, o que é fundamental. A reforma agrária é uma política governamental, executada pelo Estado em nome da sociedade, que visa desapropriar grandes propriedades de terra que não cumprem a função social. É uma bandeira republicana, que se insere nos direitos democráticos. Para isso, procura democratizar o acesso à terra e desconcentrar a propriedade fundiária. Dentro desse conceito, durante os governos FHC e Lula, os latifundiários aumentaram o controle das terras.

Está em curso um movimento de contra-reforma agrária, realizado pela lógica do capital de empresas transnacionais e do mercado financeiro. De acordo com o censo de 2006, 15 mil fazendeiros com mais de 2 mil hectares controlavam nada menos que 98 milhões de hectares. Também houve uma maior desnacionalização das terras, com a ofensiva do capital estrangeiro. Somente no setor sucroalcooleiro, em apenas três anos, o capital estrangeiro se apropriou de 27% de todo setor ,segundo o jornal Valor Econômico.
Apesar disso, reitero as diferenças. O governo FHC  era o legítimo representante da aliança entre uma parcela da burguesia brasileira subordinada aos interesses do capital internacional e financeiro.  Já o governo Lula representa um outro tipo de alianças.  É um governo de conciliação de classes, que juntou dentro dele setores da burguesia brasileira e setores da classe trabalhadora. E por isso é um governo mais progressista do que ogoverno FHC. Assinar a portaria que revisa os índices de produtividade e investir mais 460 milhões para as desapropriações de latifúndios, além de demandas para resolver problemas nos estados. Infelizmente, não houve ainda atualização da portaria dos índices de produtividade nem aporte de recursos para reforma agrária."

Queremos também esclarecer que, no mes de maio vamos continuar esta discussão, trazendo o tema: Capitalismo e Liberdade, onde pretendemos continuar a discussão sobre a terra, e discutir a lógica do trabalho no capitalismo, a identidade, a questão racial. Por isto, trouxemos o tema sobre os quilombolas para a plenária de maio, mesmo sabendo que hoje um grupo para ser considerado quilombola tem de se auto declarar. E, o mais complicado é como regularizar e titular as terras que os quilombolas estão exigindo como direito. Durante o governo Lula, apenas 7 terras quilombolas foram tituladas, apesar de ter sido feita a identificação de milhares (!) de grupos quilombolas peloBrasil!

Esperamos por todos vocês para aprofundarmos e tirarmos uma posiçao sobre esta questão fundamental para contruirmos um novo projeto de sociedade.

Plenária sobre a Questao da Terra Urbana e Rural

Expositores: MST:  Vanderlei Martini; Ocupaçoes Em BH:  Joviano Mayer; Povos indigenas:  um representante dos Xacriaba.

Segunda feira, dia 12, as 18,30h, no Centro Cultural da UFMG.

Dirlene Marques

08/04/2010

Os dez mandamentos do mundo moderno.


Por Ladislau Dowbor, prof. da PUc-SP- carta

Eis o artigo.
Como sociedade, desejamos não somente sobreviver, mas viver com qualidade de vida, e porque não, com felicidade. E isto implica elencarmos de forma ordenada os resultados mínimos a serem atingidos, com os processos decisórios correspondentes. Os Mandamentos abaixo elencados têm um denominador comum: todos já foram experimentados e estão sendo aplicados em diversas regiões do mundo, setores ou instâncias de atividade. São iniciativas que deram certo, e cuja generalização, com as devidas adaptações e flexibilidade em função da diversidade planetária, é hoje viável. Não temos a ilusão relativamente à distância entre a realidade política de hoje e as medidas sistematizadas abaixo. Mas pareceu-nos essencial, de toda forma, elencar de forma organizada as medidas necessárias, pois ter um norte mais claro ajuda na construção de uma outra governança planetária. Não estão ordenadas por ordem de importância, pois a maioria tem implicações simultâneas e dimensões interativas. Mas todos os mandamentos deverão ser obedecidos, pois a ira dos elementos nos atingirá a todos, sem precisar esperar a outra vida.

Considerando que a obediência à versão original dos Dez Mandamentos foi apenas aleatória, desta vez o Autor teve a prudência de acrescentar a cada Mandamento uma nota de explicação, destinada em particular aos impenitentes.

I – Não comprarás os Representantes do Povo
Resgatar a dimensão pública do Estado: Como podemos ter mecanismos reguladores que funcionem se é o dinheiro das corporações a regular que elege os reguladores? Se as agências que avaliam risco são pagas por quem cria o risco? Se é aceitável que os responsáveis de um banco central venham das empresas que precisam ser reguladas, e voltem para nelas encontrar emprego?

II – Não Farás Contas erradas
As contas têm de refletir os objetivos que visamos. O PIB indica a intensidade do uso do aparelho produtivo, mas não nos indica a utilidade do que se produz, para quem, e com que custos para o estoque de bens naturais de que o planeta dispõe. Conta como aumento do PIB um desastre ambiental, o aumento de doenças, o cerceamento de acesso a bens livres. O IDH já foi um imenso avanço, mas temos de evoluir para uma contabilidade integrada dos resultados efetivos dos nossos esforços, e particularmente da alocação de recursos financeiros, em função de um desenvolvimento que não seja apenas economicamente viável, mas também socialmente justo e ambientalmente sustentável. As metodologias existem, aplicadas parcialmente em diversos países, setores ou pesquisas.

III – Não Reduzirás o Próximo à Miséria
Algumas coisas não podem faltar a ninguém. A pobreza crítica é o drama maior, tanto pelo sofrimento que causa em si, como pela articulação com os dramas ambientais, o não acesso ao conhecimento, a deformação do perfil de produção que se desinteressa das necessidades dos que não têm capacidade aquisitiva. A ONU calcula que custaria 300 bilhões de dólares (no valor do ano 2000) tirar da miséria um bilhão de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia. São custos ridículos quando se considera os trilhões transferidos para grupos econômicos financeiros no quadro da última crise financeira. O benefício ético é imenso, pois é inaceitável morrerem de causas ridículas 10 milhões de crianças por ano.
IV – Não Privarás Ninguém do Direito de Ganhar o seu Pão

Universalizar a garantia do emprego é viável. Toda pessoa que queira ganhar o pão da sua família deve poder ter acesso ao trabalho. Num planeta onde há um mundo de coisas a fazer, inclusive para resgatar o meio ambiente, é absurdo o número de pessoas sem acesso a formas organizadas de produzir e gerar renda. Temos os recursos e os conhecimentos técnicos e organizacionais para assegurar, em cada vila ou cidade, acesso a um trabalho decente e socialmente útil. As experiências de Maharashtra na Índia demonstraram a sua viabilidade, como o mostram as numerosas experiências brasileiras, sem falar no New Deal da crise dos anos 1930. São opções onde todos ganham: o município melhora o saneamento básico, a moradia, a manutenção urbana, a policultura alimentar. As famílias passam a poder viver decentemente, e a sociedade passa a ser melhor estruturada e menos tensionada. Os gastos com seguro-desemprego se reduzem. No caso indiano, cada vila ou cidade é obrigada a ter um cadastro de iniciativas intensivas em mão de obra.

V – Não Trabalharás Mais de Quarenta Horas
 
Podemos trabalhar menos, e trabalharemos todos, com tempo para fazermos mais coisas interessantes na vida. A sub-utilização da força de trabalho é um problema planetário, ainda que desigual na sua gravidade. No Brasil, conforme vimos, com 100 milhões de pessoas na PEA, temos 31 milhões formalmente empregadas no setor privado, e 9 milhões de empregados públicos. A conta não fecha. O setor informal situa-se na ordem de 50% da PEA. Uma imensa parte da nação “se vira” para sobreviver. No lado dos empregos de ponta, as pessoas não vivem por excesso de carga de trabalho. Não se trata aqui de uma exigência de luxo: são incontáveis os suicídios nas empresas onde a corrida pela eficiência se tornou simplesmente desumana. O stress profissional está se tornando uma doença planetária, e a questão da qualidade de vida no trabalho passa a ocupar um espaço central. A redistribuição social da carga de trabalho torna-se hoje uma necessidade. As resistências são compreensíveis, mas a realidade é que com os avanços da tecnologia os processos produtivos tornam-se cada vez menos intensivos em mão de obra, e reduzir a jornada é uma questão de tempo. Não podemos continuar a basear o nosso desenvolvimento em ilhas tecnológicas ultramodernas enquanto se gera uma massa de excluídos, inclusive porque se trata de equilibrar a remuneração e, consequentemente, a demanda. A redução da jornada não reduzirá o bem estar ou a riqueza da população, e sim a deslocará para novos setores mais centrados no uso do tempo livre, com mais atividades de cultura e lazer. Não precisamos necessariamente de mais carros e de mais bonecas Barbie, precisamos sim de mais qualidade de vida.

VI – Não Viverás para o Dinheiro

A mudança de comportamento, de estilo de vida, não constitui um sacrifício, e sim um resgate do bom senso. Neste planeta de 7 bilhões de habitantes, com um aumento anual da ordem de 75 milhões, toda política envolve também uma mudança de comportamento individual e da cultura do consumo. O respeito às normas ambientais, a moderação do consumo, o cuidado no endividamento, o uso inteligente dos meios de transporte, a generalização da reciclagem, a redução do desperdício – há um conjunto de formas de organização do nosso cotidiano que passa por uma mudança de valores e de atitudes frente aos desafios econômicos, sociais e ambientais.

VII – Não Ganharás Dinheiro com o Dinheiro dos Outros
 
Racionalizar os sistemas de intermediação financeira é viável. A alocação final dos recursos financeiros deixou de ser organizada em função dos usos finais de estímulo e orientação de atividades econômicas e sociais, para obedecer às finalidades dos próprios intermediários financeiros. A atividade de crédito é sempre uma atividade pública, seja no quadro das instituições públicas, seja no quadro dos bancos privados que trabalham com dinheiro do público, e que para tanto precisam de uma carta-patente que os autorize a ganhar dinheiro com dinheiro dos outros. A recente crise financeira de 2008 demonstrou com clareza o caos que gera a ausência de mecanismos confiáveis de regulação no setor. Nas últimas duas décadas, temos saltado de bolha em bolha, de crise em crise, sem que a relação de forças permita a reformulação do sistema de regulação em função da produtividade sistêmica dos recursos. Enquanto não se gera uma relação de forças mais favorável, precisamos batalhar os sistemas nacionais de regulação financeira. O dinheiro não é mais produtivo onde rende mais para o intermediário: devemos buscar a produtividade sistêmica de um recurso que é público.
A Coréia do Sul abriu recentemente um financiamento de 36 bilhões de dólares para financiar transporte coletivo e alternativas energéticas, gerando com isto 960 mil empregos. O impacto positivo é ambiental pela redução de emissões, é anti-cíclico pela dinamização da demanda, é social pela redução do desemprego e pela renda gerada, é tecnológico pelas inovações que gera nos processos produtivos mais limpos. Tem inclusive um impacto raramente considerado, que é a redução do tempo vida que as pessoas desperdiçam no transporte. Trata-se aqui, evidentemente, de financiamento público, pois os bancos comerciais não teriam esta preocupação, nem esta visão sistêmica

VIII – Não Tributarás Boas Iniciativas

A filosofia do imposto, de quem se cobra, e a quem se aloca, precisa ser revista. Uma política tributária equilibrada na cobrança, e reorientada na aplicação dos recursos, constitui um dos instrumentos fundamentais de que dispomos, sobretudo porque pode ser promovida por mecanismos democráticos. O eixo central não está na redução dos impostos, e sim na cobrança socialmente mais justa e na alocação mais produtiva em termos sociais e ambientais. A taxação das transações especulativas (nacionais ou internacionais) deverá gerar fundos para financiar uma série de políticas essenciais para o reequilíbrio social e ambiental. O imposto sobre grandes fortunas é hoje essencial para reduzir o poder político das dinastias econômicas (10% das famílias do planeta é dono de 90% do patrimônio familiar acumulado no planeta). O imposto sobre a herança é fundamental para dar chances a partilhas mais equilibradas para as sucessivas gerações. O imposto sobre a renda deve adquirir mais peso relativamente aos impostos indiretos, com alíquotas que permitam efetivamente redistribuir a renda. É importante lembrar que as grandes fortunas do planeta em geral estão vinculadas não a um acréscimo de capacidades produtivas do planeta, e sim à aquisição maior de empresas por um só grupo, gerando uma pirâmide cada vez mais instável e menos governável de propriedades cruzadas, impérios onde a grande luta é pelo controle do poder financeiro, político e midiático, e a apropriação de recursos naturais.
O sistema tributário tem de ser reformulado no sentido anti-cíclico, privilegiando atividades produtivas e penalizando as especulativas; no sentido do maior equilíbrio social ao ser fortemente progressivo; e no sentido de proteção ambiental ao taxar emissões tóxicas ou geradoras de mudança climática, bem como o uso de recursos naturais não renováveis (2).
O poder redistributivo do Estado é grande, tanto pelas políticas que executa – por exemplo as políticas de saúde, lazer, saneamento e outras infra-estruturas sociais que melhoram o nível de consumo coletivo – como pelas que pode fomentar, como opções energéticas, inclusão digital e assim por diante. Fundamental também é a política redistributiva que envolve política salarial, de previdência, de crédito, de preços, de emprego.
A forte presença das corporações junto ao poder político constitui um dos entraves principais ao equilíbrio na alocação de recursos. O essencial é assegurar que todas as propostas de alocação de recursos sejam analisadas pelo triplo enfoque econômico, social e ambiental. No caso brasileiro, constatou-se com as recentes políticas sociais (“Bolsa-Família”, políticas de previdência etc.) que volumes relativamente limitados de recursos, quando chegam à “base da pirâmide”, são incomparavelmente mais produtivos, tanto em termos de redução de situações críticas e consequente aumento de qualidade de vida, como pela dinamização de atividades econômicas induzidas pela demanda local. A democratização aqui é fundamental. A apropriação dos mecanismos decisórios sobre a alocação de recursos públicos está no centro dos processos de corrupção, envolvendo as grandes bancadas corporativas, por sua vez ancoradas no financiamento privado das campanhas.

IX – Não Privarás o Próximo do Direito ao Conhecimento

Travar o acesso ao conhecimento e às tecnologias sustentáveis não faz o mínimo sentido. A participação efetiva das populações nos processos de desenvolvimento sustentável envolve um denso sistema de acesso público e gratuito à informação necessária. A conectividade planetária que as novas tecnologias permitem constitui uma ampla via de acesso direto. O custo-benefício da inclusão digital generalizada é simplesmente imbatível, pois é um programa que desonera as instâncias administrativas superiores, na medida em que as comunidades com acesso à informação se tornam sujeitos do seu próprio desenvolvimento. A rapidez da apropriação deste tipo de tecnologia até nas regiões mais pobres se constata na propagação do celular, das lan houses mais modestas. O impacto produtivo é imenso para os pequenos produtores que passam a ter acesso direto a diversos mercados tanto de insumos como de venda, escapando aos diversos sistemas de atravessadores comerciais e financeiros. A inclusão digital generalizada é um destravador potente do conjunto do processo de mudança que hoje se torna indispensável.

X – Não Controlarás a Palavra do Próximo

Democratizar a comunicação tornou-se essencial. A comunicação é uma das áreas que mais explodiu em termos de peso relativo nas transformações da sociedade. Estamos em permanência cercados de mensagens. As nossas crianças passam horas submetidas à publicidade ostensiva ou disfarçada. A indústria da comunicação, com sua fantástica concentração internacional e nacional - e a sua crescente interação entre os dois níveis - gerou uma máquina de fabricar estilos de vida, um consumismo obsessivo que reforça o elitismo, as desigualdades, o desperdício de recursos como símbolo de sucesso. O sistema circular permite que os custos sejam embutidos nos preços dos produtos que nos incitam a comprar, e ficamos envoltos em um cacarejo permanente de mensagens idiotas pagas do nosso bolso. Mais recentemente, a corporação utiliza este caminho para falar bem de si, para se apresentar como sustentável e, de forma mais ampla, como boa pessoa. O espectro eletromagnético em que estas mensagens navegam é público, e o acesso a uma informação inteligente e gratuita para todo o planeta, é simplesmente viável. Expandindo gradualmente as inúmeras formas alternativas de mídia que surgem por toda parte, há como introduzir uma cultura nova, outras visões de mundo, cultura diversificada e não pasteurizada, pluralismo em vez de fundamentalismos religiosos ou comerciais.
O fato que mais inspira esperança é a multiplicação impressionante de iniciativas nos planos da tecnologia, dos sistemas de gestão local, do uso da internet para democratizar o conhecimento, da descoberta de novas formas de produção menos agressivas, de formas mais equilibradas de acesso aos recursos. O Brasil neste plano tem mostrado que começar a construir uma vida mais digna para o “andar de baixo”, para os dois terços de excluídos, não gera tragédias para os ricos. Inclusive, numa sociedade mais equilibrada, todos passarão a viver melhor. Tolerar um mundo onde um bilhão de pessoas passam fome, onde 10 milhões de crianças morrem anualmente de causas ridículas, e onde se dilapidam os recursos naturais das próximas gerações, em proveito de fortunas irresponsáveis, já não é possível.
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